Após uma esternotomia mediana, espera-se que o esterno cicatrize e volte a unir-se, tal como qualquer outro osso fraturado. Ocasionalmente, porém, as duas metades separam-se antes de a cicatrização estar completa — uma complicação conhecida como deiscência esternal. Compreender por que motivo isto acontece, quem tem maior probabilidade de a sofrer e de que forma as equipas cirúrgicas trabalham para reduzir o risco pode ajudar tanto os doentes como os clínicos a encarar a recuperação com expectativas realistas. Este artigo analisa o quadro clínico da deiscência esternal e as estratégias de prevenção habitualmente discutidas na literatura de cirurgia cardíaca.
O Que É a Deiscência Esternal?
A deiscência esternal refere-se a uma separação parcial ou completa do esterno ao longo da linha de encerramento cirúrgico, na sequência de uma esternotomia. Pode ocorrer precocemente, nas primeiras semanas após a cirurgia, ou mais tarde durante o processo de cicatrização. Nalguns casos, a pele e os tecidos moles permanecem intactos enquanto o próprio osso já se separou; em apresentações mais graves, as margens da ferida também se abrem. A incidência reportada na literatura de cirurgia cardíaca é variável, mas é geralmente descrita como uma complicação pouco comum, embora clinicamente significativa, que as equipas cirúrgicas monitorizam ativamente durante o período pós-operatório.
O Que Causa a Deiscência Esternal?
Múltiplos fatores podem contribuir para a falha do esterno em cicatrizar e permanecer estável. Os contribuintes mais frequentemente citados incluem:
- Fatores relacionados com o doente: obesidade, diabetes, osteoporose, doença pulmonar obstrutiva crónica e irradiação torácica prévia são frequentemente discutidos como fatores que podem afetar a qualidade óssea ou a capacidade de cicatrização da ferida.
- Stress mecânico: tensão repetitiva sobre a parede torácica provocada por tosse, levantamento de pesos ou determinados movimentos dos braços antes de o esterno ter consolidado.
- Infeção: uma infeção esternal profunda pode comprometer a integridade do osso e dos tecidos circundantes, enfraquecendo o encerramento e aumentando a probabilidade de separação.
- Fatores técnicos e relacionados com a fixação: a forma como as duas metades do esterno são aproximadas e fixadas durante o encerramento é considerada uma das variáveis modificáveis que as equipas cirúrgicas podem influenciar.
Nenhum fator isolado explica todos os casos, e a deiscência é geralmente entendida como resultante de uma combinação de variáveis biológicas e mecânicas, e não de uma única causa isolada.
Como Se Relaciona a Escolha da Fixação com a Estabilidade Esternal?
O encerramento esternal tradicional tem-se baseado, há muito tempo, em fios de aço inoxidável passados à volta ou através do esterno e torcidos para manter as duas metades unidas. Nas últimas décadas, os sistemas de fixação com placa e parafuso, incluindo sistemas de placas de fixação esternal em titânio, passaram a fazer parte do arsenal cirúrgico para determinados doentes, particularmente aqueles considerados em maior risco de cicatrização óssea deficiente. O princípio subjacente à fixação rígida com placa é distribuir a carga mecânica de forma mais uniforme ao longo do encerramento e limitar o micromovimento entre as metades esternais durante a janela inicial de cicatrização. A escolha da fixação é uma das várias variáveis que uma equipa cirúrgica pondera, juntamente com a anatomia do doente, a qualidade óssea e os protocolos institucionais — não é uma solução universal, e o método adequado é determinado caso a caso pelo cirurgião responsável.
Quem É Considerado de Maior Risco?
A literatura de cirurgia cardíaca identifica habitualmente determinados grupos como tendo uma maior probabilidade reportada de complicações da ferida esternal, incluindo a deiscência esternal. Estes grupos incluem frequentemente doentes com diabetes mal controlada, obesidade significativa, uso crónico de corticosteroides, osteoporose, colheita bilateral da artéria mamária interna, e aqueles submetidos a reoperação por esternotomia. A idade avançada e a densidade óssea reduzida são também frequentemente mencionadas como considerações contribuintes. Reconhecer estas categorias de risco permite às equipas cirúrgicas planear a técnica de encerramento, as orientações de atividade pós-operatória e a monitorização de forma mais cuidadosa para cada doente individualmente.
Quais São os Sinais de Alerta Que os Doentes Devem Conhecer?
Os doentes em recuperação de esternotomia são geralmente aconselhados a estar atentos a sintomas específicos que possam indicar um problema de cicatrização. Estes incluem habitualmente uma sensação de estalido, clique ou fricção no tórax com o movimento, instabilidade visível ou sentida do esterno, drenagem da ferida nova ou agravada, vermelhidão ou calor à volta da incisão, febre, ou dor torácica crescente que não seja explicada pelo desconforto pós-operatório normal. Qualquer um destes achados deve levar o doente a contactar prontamente a sua equipa cirúrgica ou a procurar cuidados médicos imediatos, uma vez que a avaliação precoce apoia uma gestão atempada.
A deiscência esternal pode ser completamente prevenida?
Nenhuma abordagem elimina totalmente o risco, uma vez que a deiscência resulta de uma combinação de biologia do doente e fatores mecânicos. As equipas cirúrgicas reduzem o risco através de uma avaliação cuidadosa do doente, de uma técnica de encerramento adequada e de orientações claras de atividade pós-operatória, mas os resultados individuais variam e a adequação de qualquer abordagem é determinada por um médico qualificado.
A deiscência esternal é o mesmo que uma infeção esternal?
Não necessariamente. A deiscência descreve a separação física do osso, enquanto a infeção se refere a um processo distinto, envolvendo contaminação bacteriana da ferida ou do osso. Ambas podem ocorrer em conjunto, uma vez que a infeção pode enfraquecer o tecido e contribuir para a separação, mas um doente pode apresentar uma sem a outra.
Quanto tempo após a cirurgia a deiscência costuma surgir?
Pode surgir em diferentes momentos durante a recuperação, embora muitos casos sejam identificados nas primeiras semanas pós-operatórias, enquanto o esterno ainda está a consolidar. Qualquer sintoma preocupante deve ser reportado à equipa cirúrgica, independentemente do tempo decorrido desde a operação.
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A disponibilidade do dispositivo e o status regulatório variam de acordo com o país. Entre em contato com INVAMED ou seu distribuidor local autorizado para obter informações regulatórias atuais aplicáveis à sua região.
